Essas tais de ciclovias…

Amigo, se você está lendo esse post provavelmente é um dos meus conhecidos. Afinal, esse blog não é nem um pouco famoso.

Isso não importa, vamos ao que interessa

Essas ciclovias e ciclofaixas e ciclococôs* por aí

Muito já se disse sobre as ciclovias do “prefeito-pintor” Fernando Haddad, mas eu ainda não disse nada nesse blog, por isso aqui vai a minha opinião.

Por que alguém pedalaria em São Paulo?

Existem diversos artigos de cicloativistas falando das vantagens, dos pormenores e por aí vai. Bem, como aqui é a minha opinião vou dizer por que pretendo pedalar (num futuro que tenha uma bike, coragem e melhor ambiente no trânsito): necessidade.

  1. Eu não preciso de mais um carro, nem de uma moto. Minha cidade não precisa que eu ande com um guarda-chuva de 2 toneladas cuspindo CO2. Espero que meu filho possa morar nessa cidade quando crescer. Para isso eu PRECISO fazer a minha parte, me locomovendo para o trabalho  de transporte público, fazendo home office ou, como é o objetivo declarado nesse post, ir trabalhar pedalando;
  2. Adquirir um segundo veículo seria custoso: segunda vaga para estacionar, seguro, combustível, impostos (40% na compra e IPVA todo ano!). Para alguém na minha situação geográfica e financeira isso é inviável;
  3. Seria IRRESPONSÁVEL com as pessoas à minha volta e todos os outros habitantes dessa cidade;
  4. Ah, eu sou um cara de computadores e “naturalmente” sedentário, preciso de um exercício e sempre gostei de andar de Bike, graças ao meu pai que me deu a minha primeira (e única por enquanto) quando eu fiz 7 anos. Valeu pai!

Antes que você comente: Não, eu não sou petista.

Muito pelo contrário, cada vez acredito menos na política. Tem gente no meu círculo de amizades dos dois lados (PSDB e PT) e gente que, como eu, não aceita ser unilateral. Unilateralidade não acrescenta nada quando o tema é política, religião ou futebol. Se você é um unilateral (e não é filiado a um partido), essa é a hora de parar de ler esse post, tenha um bom dia. (olha como eu sou legal, não te fiz perder mais tempo!)

Bom, então onde eu me encaixo? Me considero um “cicloativista-não-praticante”.

 

 

 

Ah, você pode ser “católico-não-praticante” e eu não posso ser cicloativista-não-praticante? Bacana sua lógica, hein.

“Cicloativismo é uma forma de fazer política para andar de bike. Não uma forma de andar de bike para fazer política”

Eu, agorinha

Tem gente que confunde essas duas coisas. Você votou no Kassab? Eu votei. Me arrependi? Amargamente.

Algumas coisas não vão bem pro Haddad, tipo isso. Não, ele é o prefeito-perfeito. MAS, me diga uma promessa do Kassab que foi cumprida e que realmente melhorou a vida das pessoas? Pode começar pela sua vida, não tem problema. Obrigado, de nada.

Bem, mas e essas faixas que saem com uma lavadora de altas pressão mestre?

Diferenças entre projetos

Se você esteve fora de São Paulo nos últimos anos (por que voltou? Não tem água aqui, fera), não deve saber que temos uma grande malha cicloviária de 200km na cidade. Mas não, a malha cicloviária não é composta apenas por ciclovias, tem também as ciclofaixas.

Que são ciclofaixas?

Chão pintado ou recapeado. Ou seja, ainda dentro das ciclofaixas temos diferenças entre coisas ruins (pintada) e bom (recapeado). Por que o recapeado é melhor? Pois o pintado tem textura próxima às que faixas de pedestre tem. Se você nunca esteve em um veículo sobre rodas em uma dessas saiba: é liso feito sabão quando chove. Caso pretenda pedalar na chuva, recomendo esse artigo. As ciclovias que tem recapeamento de concreto são melhores: duram mais, os buracos demoram a aparecer e a tinta não vai atrapalhar, nem deixar o calçamento mais escorregadio. É coisa linda de Deus. Claro que isso não é uma verdade absoluta.

Que são ciclovias?

Vias segregadas dos carros. Tem separação de alguma maneira: diferença de altura da via ou blocos de concreto separado ou uma calçada no meio do caminho. Algo grande que vai impedir que um carro invada facilmente.

Problemas que ainda existem

E eles precisam ser resolvidos, seja quem for o prefeito (esse ou o próximo, espero que esse ainda)

  1. Desconexões: nem tudo se conecta ainda, isso precisa melhorar. Conforme as obras avançam as coisas começam a fazer mais sentido e as ciclovias cada vez estarão mais cheias;
  2. Faixas mal-feitas: nossa senhora, tem muitas. Elas precisam ser corrigidas, não extintas. Falha de execução não implica em não-necessidade.
  3. Ladeiras: não há como escapar delas nessa cidade. Novamente, não implica em não-necessidade. A ciclofaixa da Otacílio Tomanik no bairro do Rio Pequeno é de longe a mais ingrime que eu vi – tem até oficina de bicicleta no caminho pra encher o pneu ou arrumar a corrente quebrada. As em volta da Sumaré e Pacaembu também são assustadoras. É verdade, tem uns malucos que sobem e descem esses pequenos K2 disponíveis na cidade, mas eles são uma minoria;
  4. Ciclistas “zueros”: você já viu ciclista sem capacete, na contra-mão, na calçada e por aí vai. Eles estão certos? Não. Isso muda o fato de que outros precisam de segurança para se locomover em vias seguras? Não. Uma coisa não exclui a outra. O “zuero” está errado, o motorista que atropela ele também está, pois – como diz o código de trânsito – é responsabilidade do veículo maior cuidar do veículo menor.
  5. Seria mais fácil seguir o código brasileiro de trânsito? Sim, seria. Você já acelerou acima da máxima permitida em uma via? Estacionou em local proibido? Parou em fila dupla? No código tudo isso é explicado claramente com um belo carimbo NÃO PODE FAZER, ZÉ!

Conclusões por ora:

  • O plano de ciclovias é eleitoreiro? CERTAMENTE, como tudo que é feito POR QUALQUER PARTIDO QUE EU CONHEÇO QUE ESTEVE NO GOVERNO DESSA CIDADE;
  • “Mas custa muito caro! 200mil o KM!”. Pergunto: quanto vale a SUA VIDA ou do SEU FILHO ou de alguém da SUA FAMÍLIA? A dos outros vale menos, suponho.
  • “Roma não foi construída em um dia” evidente que nem as ciclovias serão, mas a construção tem que começar de alguma maneira. E nem tudo sai como planejado, mas as pessoas vão se adaptar, somos capazes disso;
  • Finalmente: o fato das pessoas se preocuparem mais com o trecho de terra que estão perdendo para andar com seus SUVs em comparação com a falta de água é impressionante. Estou mais preocupado com a água, larguei o projeto da Bike por enquanto, assim que tivermos mais “segurança hídrica” volto a me preocupar com ela

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Muito mais!

*Ciclococô é o apelido que os ciclistas deram à “super moderna e bem conservada ciclovia da marginal pinheiros” (que não tem iluminação, só funciona de dia)

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